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18 April 2020

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Você sabe o que é Kijeme? Olhar, ouvir e escrever as histórias que crianças indígenas contam para você.

Marina Rodrigues Miranda/ Karen Santana de Almeida Vieira

 

Quer de fato conhecer as suas origens? Ouça as crianças indígenas: Pataxó,  Tupinambá, Guarani, Tucanas, Ticunas, Mundurucu, Kayapó …

Este projeto teve origem na  Kijêtxawê Tixihihãy Pataxó – Âpaká Txó Egnetopne /  Escola Pé do Monte – Aldeia Pé do Monte – Parque do Descobrimento – BA – Brasil.

A origem deste projeto apoiou-se em uma indagação feita pela menina Jaciã com a Ianka – uma moça negra: por que sua professora Marina só conta história de índio? A interlocutora respondeu: porque somos todos indígenas! Jaciã estranhou e questionou: você indígena? Você sabe o que é Kijeme? Ianka por sua vez ficou sem saber o que responder. Esta indagação de conhecimento nos remeteu a dialogar com as crianças. Passamos a ouvir suas histórias e contando as nossas. E assim, este princípio nos remete para origens de conhecimentos etnoecológicos, conhecimentos míticos e outros.  Nos lançou a refletir sobre o modo ocidental de existência com o esquecimento das nossas memórias. A partir deste dado reverberado na identidade, produzimos e participamos de atividades com as crianças a partir do bem querer delas, conhecendo suas histórias e incentivando suas demandas de origens. Estamos na aldeia desde o ano de 2016, participamos das suas atividades na Educação Escolar indígena e nos jogos indígenas Pataxó para crianças. Tendo-as como referência, produzimos trabalhos em seus terreiros lúdicos: um projeto de Experiência do Sensível em Escritas de literaturas de origens de conhecimentos das crianças, com o intuito de estar com elas, participando dos seus mundos, na produção de histórias escritas por elas e por nós, no ciclo dos seus enredos. 

 

Este nosso projeto vem encontrar sua origem. Comece respondendo para gente: você sabe o que é kijemî? Depois da resposta, se pergunte:  por que será que a menina Jaciã fez esta pergunta? Tamikuã, uma outra criança indígena da aldeia respondeu. 

 

A resposta de Tamikuã e a sua estarão na próxima escrita coletiva “Você sabe o que é Kijeme?”.

Kijeme – Origem: esta palavra faz parte do repertório da língua Patxohã, língua materna dos Pataxó. 

 

As Escolas de Educação Escolar Indígena – são escolas que produzem saberes  diferenciados e em consonância com o bem viver das populações de aldeia. Potencializam em primeira instância o saber identitário da comunidade. Para esta finalidade, constroem conhecimento com as crianças no seio de sua própria língua, estimulando a escrita identitária na Língua Patxohã, para que elas possam valorizar suas cosmologias de conhecimentos com experiências criativas em exercício de raiz originária. Para além disso, lança um olhar a contrapelo para as culturas ocidentalizadas para que as crianças possam se fortalecer e constituir processos ainda mais amplos, de resistências e de (re)existências aos ditames colonizadores. Concomitante a este processo, realizam os trabalhos de alfabetização regular da língua portuguesa conforme determina a LDB 9391/96.

 

O nosso projeto tem como essência os saberes mediados pela literatura de origem  das crianças indígenas com crianças não indígenas, com objetivo de (des)colonizar as premissas instituídas historicamente  que geram racismo e preconceito.   

 

Bibliografia: 

LUZ, Marco Aurélio. Pensamento insurgente: direito a alteridade, comunicação e educação. Salvador/BA. Editora EDUFBA. 1ª edição. 2018. 

MIRANDA, Marina R. Você sabe o que é kijemi? Vitória/ES. Edições da autora. 2017.

_______, Índio Pataxó o que vem fazer aqui? Autorias de Infâncias na aldeia Pé do Monte. Anais do Seminário Nacional Infâncias: Infâncias Juventudes e cidades: Um diálogo com a educação. Vitória- ES: Universidade Federal do Espírito Santo- Programa de Pós-graduação da UFES, 2017. v. 1. p. 01-112.

_______. Aranã e a Cacimba. Vitória/ES. Edições da autora, 2018.

WAMRÊMÉ, Za’ra. Nossa palavra: mito e histórias do povo Xavante. Seruburá… I et al; tradução Paulo Supreta 

 

 

Karen Santana de Almeida Vieira

Eu, sou Filha de Seu Valdemi de Almeida e Dona Francisca Santana. Meu Pai servidor aposentado que exerceu a função de motorista da Universidade de Brasília por 30 anos. Minha Mãe, dona de casa que parou de trabalhar para cuidar dos filhos no ano de 1978, vinda do interior do Nordeste em busca de melhores condições de vida em Brasília. Eu, pequena guerreira, batalhadora e que encontrou nos estudos a ferramenta necessária para assegurar melhores condições de vida para minha abençoada família. Hoje sou Professora Adjunta e Doutora em Política Social na mesma universidade em que meu pai trabalhou como “Chouffer” de reitores e autoridades; mas que hoje esboça um imenso sorriso para dizer que sua filha é Professora. Sonho do meu pai realizado!  E, na intimidade a Professora Karen tem vida de esposa   (apaixonada por mais de 20 anos por Maurício). Homem incrível que nunca deixou de incentivar, apoiar e, muitas vezes, dar as condições para que eu chegasse a tão sonhada realização profissional; e com direito a livro publicado e tudo. Hoje, damos espaço a outra realização que demorou e teve que aguardar as coisas se estabilizarem: a maternidade e a paternidade. Estou grávida de um ser humano super desejado e que deverá chegar ao mundo no próximo outubro de 2020 (emocionada!). E, assim, seguimos trilhando, educando, exemplificando as subjetividades da vida e a possibilidade de compartilhar mais que conhecimento acadêmico (super válido e importante) mais a sensibilidade de que o mundo precisa de cidadãos plenos e respeitosos da natureza, em meio, aos desafios e a magnitude de um Ser Superior que orquestra tudo isso em uma linda sinfonia que transcende a experiência humana.

 

Resumo do Lattes:

Sou professora adjunta da Universidade de Brasilia (UnB) com doutorado na área de Política Social. Tenho experiência na área de pesquisa e ensino de Serviço Social, atuando principalmente nos seguintes temas: Análise, Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas, Mercosul (Políticas Supranacionais), Política de Assistência Social, Política de Saúde, Educação para a Cidadania. Ademais, busco uma interlocução com as possibilidades das artes experimentando laboratórios vivenciais para a construção de um conhecimento sensível e com práticas na Pedagogia Ativa, práticas experimentadas na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), no bacharelado interdisciplinar em Humanidades, onde tive oportunidade de ser docente por um período de aproximadamente 2 anos. Minha principal motivação é a docência, pois considero que minha missão tanto como profissional como pesquisadora é a de formar cidadãos plenos e pesquisadores cada vez melhores. Endereço do Lattes: <http://lattes.cnpq.br/5314743908635602

 

Marina Miranda

Pequena Biografia – Sou Marina Rodrigues Miranda. Nasci de parteira no mês de setembro em Cariacica.  Sou fruto de duas pessoas etnicamente diferentes, um homem negro calado, silencioso e (anarquista), na verdade era comunista. Quando ele queria fazer a filharada se calar gritava: Vão parar de anarquia? Quanto à minha mãe, tenho uma convicção plena: ela é indígena. Brava, sempre disse que ia virar onça! Ela lembra que morou em Mucurutá (região de Aracruz) e conta que quando saiu de lá para morar em Nova Almeida chegou peladinha, sem uma roupa no corpo. E que a finada filha do seu ZUZU costurou roupa para ela e para as irmãs.  Ela é uma mulher de cultura oral. Sua maestria é contar histórias de visagens. Via saci e um homem branco que crescia e jogava ela no poço. Muitas histórias… Ela é uma mulher de histórias compridas e compridas. Ela é uma grande cabaça, uma mulher forte. Teve oito filhas e um filho. Todas as histórias que conta celebram conhecimentos ancestrais indígenas. Poderia provar contando uma das suas histórias, só que não posso. Contar histórias na luz do dia, nasce rabo. Quanto a mim, tenho raiz forte e alma flutuante. Eu só sei que tudo sei e nada sei das minhas origens. Sei que tenho pernas finas e ligeiras, passaram sebo nas minhas canelas. Acabei tendo origens em dois troncos distintos de duas grandes raízes. A vida que me presenteou ser quem sou. Professora, adoro antropologia, trabalho com populações negras e indígenas. Sou mãe de dois filhos e uma filha. E minha formação é contar e colher histórias de vida. Adoro acumular raízes, elas me sustentam.

 

Resumo do Lattes: Professora Especialista em Orientação Acadêmica em EAD pela universidade Federal do Mato Grosso (UFMT); Especialista em Educação Física Escolar pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (2007) e Doutorado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2013). Professora Adjunto – Nível I da Universidade Federal do Sul da Bahia/UFSB; Líder do Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Experiência do Sensível na linha de Estudos e Pesquisas com Crianças, atuando principalmente nos seguintes temas de estudos e pesquisas: Educação de Infâncias, Quilombolas e Indígena;. Membro do grupo de Pesquisa Imagens e Tecnologias e Infâncias (PPGE – UFES) com o tema de pesquisa Culturas Infantis em comunidades tradicionais. Contato: marina.miranda@ufsb.edu.br  Acesso ao Lattes: CV: http://lattes.cnpq.br/4087302830515226

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