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19 April 2020

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Cartas dos(as) Guardiões(ãs) da Terra e do Céu: experiência de escritas originárias das crianças indígenas para o mundo

Marina Rodrigues Miranda
Fábio Guss Strelhow
Dalva Pataxó – Aldeia Pé do Monte
Luzia Florencio  – Aldeia Comboios

 

O projeto Cartas dos(as) guardiões(ãs) da Terra e do Céu: experiência de escritas originárias das crianças indígenas para o mundo, inspira-se na agenda de compromissos proposta pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) com uma programação midiática intitulada “Abril Vermelho 2020”, mobilizando articulações em defesa da vida dos povos indígenas em tempos de corona vírus.

 

Assim como a APIB, nosso projeto visa propor ações para as crianças e adolescentes das aldeias, a partir do mês de comemoração dos povos indígenas, inaugurando o site institucional intitulado TUPIABÁ: projetos originários, composto de vários projetos que tem como linha de conhecimento roteiros para se pensar produções de trabalhos com povos de origem: indígenas, quilombolas, povos das águas, populações ribeirinhas, entre outros.

A iniciativa de inaugurar um site em plena pandemia de Covid-19, distante dos espaços tempos da aldeia, usando uma ferramenta tecnológica, tem como objetivo mostrar ao mundo as problemáticas que invadem a aldeia, principalmente sob o ponto de vista das infâncias.

 

Neste sentido, queremos ouvi-las em suas pertinências ancoradas nas seguintes questões: como a população indígena, principalmente as crianças e os adolescentes, percebem-se neste contexto? Nesta jornada de combate ao corona vírus, o que as crianças e adolescentes indígenas tem a dizer para o mundo, a partir de suas sabedorias da terra e do céu, como seus guardiões(as)?

 

Acreditamos que pandemia vem em decorrência do processo de devastação ambiental, gerado pela ganância capitalista que, por séculos, desequilibra os ecossistemas planetário. Mediante esta afirmação, como colaborar com as infâncias indígenas para que elas se interconectem com o mundo, inspirando uma cosmovisão planetária de modo originário?

 

A Escola Indígena está fechada. Neste espaço é que a Educação Indígena diferenciada acontece, quando as crianças e adolescentes, em suas relações de sociabilidade, exercem politicamente a defesa dos seus territórios e fortalecem seus ímpetos para a luta de permanência e seu bem viver na terra. Diante do exposto, como viabilizar a continuidade da existência e resistência destes povos, em tempos pandêmicos, uma vez que este espaço instituído de conhecimento está fechado?  

A APIB, via agenda de ações do Abril Vermelho, reivindica a participação da população no fortalecimento das lutas dos povos indígenas, convocando a sociedade a refletir acerca de outra possibilidade de genocídio indígena pela Covid-19, associada as invasões diuturnas de madeireiros, garimpeiros e grileiros nos territórios indígenas, disseminando a doença. Para além, a presença destes invasores resultam em ações devastadoras ambientais pela derrubadas das florestas, lançamentos de dejetos nos rios e mares, oriundos dos processos de exploração de minerais, resultando no ecocídio planetário.

 

Neste mesmo ativismo identitário, apresentamos este projeto como uma ação colaborativa com a Educação Escolar Indígena, implicada à agenda desta instituição. Nosso projeto assenta-se a uma proposta interativa/construtiva, tendo como aporte valorizar escritas originárias. Nesta espiritualidade de conhecimento, propomos escritas de cartas, do mundo para as crianças e das crianças para o mundo, criando uma interlocução em tempo de pandemia. Essa correspondência do mundo para as crianças indígenas, será realizada via correio eletrônico, a partir de uma plataforma oficial na internet a ser inaugurada em consonância com o “Abril Vermelho”, como uma legítima homenagem à comemoração da existência e resistência dos povos indígenas do Brasil.

Esta é a nossa iniciativa de origem… Este é o nosso TUPIABÁ…

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Maria Inês. Desocidentada: experiência literária em terras indígenas, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2009.

KAYAPÓ, Edson. São Paulo, Pod Cast da série Mekukradjá, Itaú Cultural. Dezembro, 2019.

KOPENAWA, David. ALBERT, Bruce. A queda do Céu: palavras de um xamã Yanomami; tradução Beatriz Perrone-Moisés; prefácio de Eduardo Viveiro de Castro – 1ª ed – São Paulo; Companhia das Letras. 2015.

KRENAC, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 1ª ed. São Paulo, Companhia das Letras, 2019

LUZ, C.P. Narcimária. Descolonização e educação: uma proposta política. Sementes Caderno de Pesquisa. Departamento de Educação, Campus I, v. 1, nº. 1/2, Salvador: UNEB, 2000b.

LUZ, Marco Aurélio. Da Porteira para dentro, da porteira para fora. In: SANTOS, J. E. (org.) Democracia e diversidade humana: desafio contemporâneo. Salvador: SECNEB, (p. 57-74), 1992.

MUNDURUCU, Daniel.  Comentário do Pod Cast do Ajuru Pataxó da série. Mekukradjá, Itaú Cultural. Outubro, 2019. 

 

 

Fábio Guss Strelhow

Pequena Biografia: Professor atuante na Educação Básica de bairros periféricos carentes nas municipalidades de Cariacica e Serra, situadas na região da grande Vitória, ES. De família campesina humilde (pomerano), nascido em 06/09/1976, criado pelos avós, por motivo de separação dos pais. Comecei a trabalhar por volta dos 12 anos de idade para ajudá-los nas despesas e manutenção do lar. Busco crescimento, pessoal e profissional, pelo viés da educação e do trabalho docente, interagindo com as camadas mais renegadas da população, na luta por uma sociedade mais digna e por possibilidades mais justas. Como coautor deste projeto, minha intenção é contribuir com as populações tradicionais indígenas, por valorizar a interculturalidade em projetos de origem, advindo da relação com a terra, do fortalecimento do bilinguismo. Sou parte de um povo originário, sou pomerano!

Resumo do Lattes:

Graduado em Pedagogia – Licenciatura Plena pelo Instituto Doctum (2013) e Pós-Graduado em Educação Especial e Inclusiva. Professor da Educação Básica – Secretaria Municipal de Educação de Cariacica e Secretaria Municipal de Educação da Serra, ambas no ES. Membro do Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Experiência do Sensível – NUPEEES da Universidade Federal do Sul da Bahia. Experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Infantil, nas Séries/Anos iniciais do Ensino Fundamental e na Educação Especial e Inclusiva.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/9522483429932518

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